Avaliação: Fiat Argo 1.3

Versão Drive com motor 1.3 é como a básica com toques de esperteza. Descubra se vale a pena

Fotos: Bruno Guerreiro | Texto: João Anacleto

Nos primeiros 30 dias após o lançamento do Argo, nosso contato com a novidade da Fiat havia sido apenas através da versão 1.8 HGT, mais completa que lua-de-mel de milionário. Depois desse período chegou a hora de ver a vida real, afinal, pouca gente vai dispor a pagar R$ 70.600 em um hatch compacto. É aí que entra a versão Drive, de entrada, com motor 1.3.

Por R$ 53.900, ele cobra R$ 7.100 extras com relação ao Argo Drive, na mesma versão, só que com motor 1.0. Mas não é só pelo 1.3 Firefly, capaz de desenvolver 109 cv e 14,2 mkgf quando abastecido com etanol, há outros diferenciais. Um deles, e o mais gritante, é a presença de série da central multimídia UConnect, a cereja do bolo do carro. O volante com comandos de rádio embutidos, o controlador de pressão dos pneus e uma segunda entrada USB também são de série.

No carro das fotos você consegue ver mais do que isso. Afinal, tanto o 1.0 quanto o 1.3 vêm de série com rodas de 14” cobertas por calotas, e a unidade está equipada com rodas de liga-leve, de 15” que vêm casadas com os faróis de neblina por R$ 1.900. Ele também estava equipado com o kit parking, que inclui o sensor de estacionamento e a câmera de ré (com imagem projetada na central multimídia) por R$ 1.200. Outro opcional presente é o kit Convenience, um pacote que inclui retrovisores externos elétricos com função tilt-down, luzes de seta integradas, e vidros elétricos traseiros com função anti-esmagamento. Equipado assim o preço sobe para R$ 58.200, quantia que, você já sabe, não vale a pena.,

Fiat Argo 1.3

POR POUCO

Agora que você já se informou sobre o que ele tem (ou pode ter) é legal saber o que ele não traz. Entre os itens mais sentidos, está a regulagem de distância do volante – so há de altura –, a transmissão automática, que só está disponível por R$ 58.900 com a caixa GSR, a antiga Dualogic, alarme e banco traseiro bipartido. Os dois últimos são para irritar qualquer cristão, afinal um carro de mais de R$ 50 mil deveria ter esses dois detalhes. E por lei.

Se o motor 1.0 prenuncia um pequeno desastre para um carro com mais de 1.100 kg, o 1.3 o faz flanar pelas ruas. Com a primeira e segunda marchas bem curtas, é possível sentir que se está em um carro mais potente do que a ficha técnica sugere. Não fosse pelo motor áspero que está sempre fingindo estrangulamento, as sensações seriam ainda melhores. No caso do câmbio, vale dizer que ele está abaixo do que consideramos bom. É apenas regular. Muito porque mesmo quando a marcha está engatada a alavanca parece não estar totalmente encaixada. As trocas de marchas são feitas com rusticidade e não é incomum aquele arranhão incômodo quando você engata a ré. Mas a decepção maior fica por conta do consumo. Em uma medição da vida real, com etanol, na cidade ele não passou dos 7,5 km/l.

Já a calibração da suspensão e o trabalho da direção estão acima da média, assim como pudemos comprovar no HGT. Ele mede buracos e curvas com a mesma régua e se comporta bem em ambas as circunstâncias. Não fosse por esse tipo de qualidade de construções e pelo bom espaço traseiro, diríamos para você pensar em outro carro. No fim das contas, este Argo vale a pena. Mas por pouco.

Fiat Argo 1.3

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