Avaliação: Fiat Argo 1.0

A versão que vai brigar pela liderança

Fotos: Bruno Guerreiro | Texto: Luiz Guerrero

Primeiro, a Fiat nos cedeu o Argo 1.8 HGT, mais caro e com todos os opcionais; depois, nos liberou o Argo 1.3. E só 22 dias mais tarde nos emprestou a versão 1.0 Drive para as primeiras impressões em São Paulo. Pode parecer inversão de valores, já que o Argo 1.0 representará, segundo a marca, de 30% a 35% das vendas da linha e será o maior responsável para que a Fiat retome a liderança de vendas – objetivo claro, mas não declarado, da empresa. “Temos histórico de sucesso com os 1.0”, diz Adriano Resende, do marketing da Fiat, ao se lembrar do lançamento do Uno Mille, em 1990, o carro que fez o governo criar o programa de isenções para esse tipo de motor.

Com um olho nas vendas do Chevrolet Onix 1.0 e outro nas do Hyundai HB 20, a Fiat foca no espaço interno, na oferta de equipamentos, mas principalmente no consumo, para disputar preferência com os dois modelos mais vendidos do País. O preço, R$ 46.800, coloca o modelo entre o Onix LT e o HB20 Comfort Plus. De série, o Argo Drive vem com ar, direção elétrica e travas e vidros elétricos dianteiros, sistema start-stop (que desliga o motor em paradas prolongadas) além da tela de 3,5 polegadas no cluster. Mas a Fiat acha que a maioria dos compradores vai pagar R$ 1.990 a mais pela tela multimídia de 7 polegadas – por ela, você pode conectar o celular para ter acesso às funções de GPS e ouvir música, já que o rádio também é opcional.

O sistema multimídia uConnect pode ser associado ao sensor de estacionamento com câmera de ré (mais R$ 1.200). Vidros elétricos traseiros e espelho elétrico com função tilt-down (aquela que direciona a lente para o solo em manobras de ré) fazem parte de outro pacote de R$ 1.200. Pela cor metálica, mais R$ 1.600. Preço do carro completo, sem os acessórios oferecidos pela Mopar: improváveis R$ 52.790.

Fiat Argo 1.0

AERODINÂMICA

A construção esmerada e o bom acabamento, qualidades até aqui inéditas para um Fiat 1.0, seguem o padrão das demais versões do Argo. O desenho também é comum e privilegia a aerodinâmica para favorecer o consumo. A Fiat diz que o carro foi desenvolvido no túnel de vento da FCA nos EUA e que todos os apêndices da carroceria são funcionais – no Mobi e no Uno, alguns elementos estéticos, como o aerofólio traseiro, são decorativos. Os benefícios do aerofólio, no entanto, só serão sentidos na estrada, acima dos 70 km/h. Para reduzir o consumo (e, em consequência, as emissões) no para-e-anda urbano, o Argo Drive conta com o sistema start-stop, dispositivo que pode reduzir o consumo em até 30%. A marca fala em médias com etanol de 9,9 km/l na cidade e de 10,7 km/l na estrada (e de 14,2 km/l e 15,1 km/l, respectivamente, com gasolina).

PESO x POTÊNCIA

O motor Firefly de três cilindros é o mesmo de Mobi e de Uno, mas com calibração específica para o Argo. A transmissão também é comum aos dois carros: manual de cinco marchas com relações mais curtas no diferencial, inclusive. A opção do câmbio de seis marchas, presentes no Onix e no HB20, foi descartada: a única caixa disponível na prateleira da Fiat é a que equipa a picape Toro e que é feita para suportar 36 mkgf de torque, muito para um motor que produz menos de 11 mkgf. Fora isso, o conjunto é maior, mais pesado e mais caro.

Fiat Argo 1.0

A engenharia da Fiat fez bom trabalho com o Argo 1.0. Mas ainda não faz milagres. O motor de três cilindros e seis válvulas tem bom torque já a partir de 2.500 rpm, o escalonamento do câmbio ajuda nas arrancadas, mas o conjunto é limitado para um carro de 1.105 kg. No comparativo entre a relação peso-potência, o Argo, com 14,35 kg/cv fica atrás de HB20 (12,58 kg/cv) e do Onix (12,93 kg/cv). Em contrapartida, oferece o melhor isolamento acústico entre os rivais.

A posição de dirigir ainda é alta e o curso da alavanca de câmbio é longo. Mas, apoiado por suspensão bem calibrada, o carro roda com suavidade. É mais bem resolvido que Mobi e Uno. Mas não é melhor que a versão 1.3, que custa a partir de R$ 53.900. 

Fiat Argo 1.0

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