Avaliação: Citroën C4 Lounge Origine

Com motor 1.6 THP e câmbio manual, a versão de entrada do C4 Lounge é o sedã que você vai dirigir por menos de R$ 100 mil

Por João Anacleto // Fotos: Divulgação

Um sedã médio sem câmbio automático é como um tênis sem cadarço. Ou seja, pouca gente usa. Mas do mesmo jeito em que nos anos 1990 houve quem achasse legal não colocar os cordões nos calçados, hoje ainda existe gente entusiasta o bastante para abrir mão do conforto de dirigir sem o pedal de embreagem. Se você é essa pessoa, experimente o C4 Lounge Origine na versão com câmbio manual, a básica, que sai por R$ 73.590. Não vai se arrepender.

Não é exatamente uma surpresa que equipado com o renomado 1.6 THP flex de 173 cv, este Citroën agrade quem gosta de uma porção a mais de emoção, mas com o câmbio automático você, digamos, não raspa o prato na hora de acelerar. Com o câmbio manual, a primeira impressão é de que você está em um carro com viés esportivo de verdade. Não, umas faixas laterais e rodas de 18” não lhe cairiam tão bem visualmente, mas pelo que ele demonstra em dinâmica seriam plenamente aceitáveis.


GUARDA-CHUVA

Tudo bem, aquele volante enorme atrapalha um pouco essa atmosfera, afinal, ninguém dirige um kart com um timão, mas todo o restante do conjunto garante uma boa atmosfera para quem curte acelerar. A alavanca de câmbio curta e as marchas com engates justos remetem ao conjunto do esportivo DS3, outro que se vale do 1.6 THP com transmissão mecânica. Seu bancos poderiam chegar a uma posição mais baixa. E é só o que se tem a reclamar.

Na cidade, os 24,5 mkgf de torque disponíveis a apenas 1.400 rpm são um prato cheio para retomadas mais rápidas, baixando marchas em trechos curtos. O turbo lag é mínimo, mas obviamente se você pensar como um dono de câmbio automático e quiser acelerar em 4ª marcha aos 40 km/h, vai imaginar que haja algum buraco nesse torque. Com uma tocada mais esportiva, como deve ser, o C4 roda liso sempre entregando mais e mais a cada marcha. Nenhum outro sedã, que custe menos de R$ 100 mil, vai lhe entregar tanta disposição.


Outra boa nova fica por conta do uso de rodas de 16”, em vez das 17”. Pode parecer loucura gostar de um conjunto menor, mas assim ele quica menos e sofre pouco com buracos. Afinal, é chato ter um carro que anda um pouco mais rápido, mas mostra instabilidade nas vias de qualidade catastrófica que se tem no Brasil.  

A estratégia da Citroën não é que ele venda como guarda-chuva em Manaus, a bem da verdade o Origine manual deve representar algo em torno de 5% do mix de vendas, no entanto a marca enxerga uma parcela de potenciais compradores que se atraiam primeiro pelo preço – o mais barato entre os sedãs médios turbo – e que não se importe da falta de câmbio automático, bancos de couro ou central multimídia a bordo. E depois de andar bastante nele, sinceramente, eu não me importaria...

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