Avaliação: Chevrolet S10 LS

A versão cabine simples e que não tem medo do batente da picape Chevrolet

Por João Anacleto // Fotos: Divulgação

Ver alguém utilizando uma picape média para o trabalho é tão surpreendente quanto ver um jovem usando seu smartphone último modelo para uma chamada de voz. Mas existe um público formado por empresas e profissionais que realmente precisa de grande caçamba e capacidade de carga satisfatória. Por isso, fomos atrás da Chevrolet S10 mais simples que você encontra no Brasil.

Não entenda simples como barata. A S10 mais em conta é a LT cabine dupla com motor 2.5 flex com injeção direta, que custa R$ 97.890. Esta que temos aqui é a LS 2.8 turbodiesel, única versão com cabine simples. Sai por R$ 105.590 com tração 4x2 (traseira) e R$ 111.690 com tração 4x4, como no carro avaliado.

A mecânica é conhecida. O motor 2.8 turbodiesel gera 200 cv a 3.600 rpm e 44,9 mkgf a 2.000 rpm, mas, em vez do câmbio automático de seis marchas (o mais comum nas S10 diesel), a S10 LS usa apenas o manual de seis marchas, com engates mais duros que o normal e alavanca que vai direto no assoalho. Nesta versão o console central é uma peça independente, com nichos úteis para garrafas, carteira, celular e um grande porta-objetos para colocar o troco do pedágio e sentir-se como cobrador por um dia.

IMPRESSÃO DIGITAL

O que realmente não falta nesta S10 são concessões feitas em nome da simplicidade e robustez. Por exemplo, os espelhos retrovisores são digitais: sem qualquer ajuste elétrico ou comando interno, você os ajusta com os dedos e deixa sua digital na superfície...


Esqueça regulagem de altura para volante e bancos. Os bancos, aliás, parecem versões mais compridas dos assentos usados na classe econômica de voos domésticos. São retos e com espuma densa. E você ainda tem que manobrar os 5,36 m dela sem qualquer auxílio de sensores ou câmera de ré. Não há nem mesmo trava ou como trancar a tampa da caçamba com chave: você solta duas alavancas e pronto.

Ao menos ela tem ar-condicionado, direção elétrica, rádio com USB e conexão por Bluetooth e, pasmem, sistema de monitoramento da pressão dos pneus. Coisa chique. As rodas são de aço aro 16”.

BEM ASSENTADA

Surpreendente mesmo – talvez mais até que o preço – é que o carro é confortável. Tudo bem que você não se acomoda da melhor forma pela falta de ajustes, mas a suspensão filtra muito bem pequenas irregularidades e permite boa estabilidade na estrada mesmo com a caçamba vazia. Vale lembrar que esta versão também não tem controles eletrônicos de estabilidade e tração. Contente-se com air bags, freios ABS e direção elétrica bem calibrada.

A dica é evitar os buracos, por causa da suspensão traseira de eixo rígido: o novo acerto de suspensão corrigiu a tendência de quicar, porém, não faz milagre quando usa-se a robusta suspensão lá atrás. Peso na caçamba ajuda a amenizar isso, embora ela não seja tão funcional. Além de não ter tranca, falta um degrau na lateral para facilitar o acesso. O volume do compartimento é de 1.570 litros e a capacidade de carga é de 1.220 kg.

O isolamento acústico da cabine é honesto. Não se escuta o motor em ponto-morto e mesmo em movimento sua presença é discreta. Você sentirá falta de muitos equipamentos, é verdade, mas esta S10 tem o suficiente para finalizar um dia de trabalho sem sobressaltos.

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