Avaliação: Chevrolet S10 High Country

GM estreia nova tecnologia na transmissão da S10 diesel para melhorar consumo, desempenho e conforto

Fotos: Divulgação | Texto: Carlos Cereijo

Em abril deste ano, a Chevrolet divulgou uma pesquisa própria que mostrava que 87% dos clientes de picapes médias querem câmbio automático. Por isso as configurações com motor flex da S10 ganharam este tipo de transmissão naquele mês. Agora é a vez das versões diesel da picape receberem novidades no câmbio automático. O objetivo dessas mudanças é melhorar o conforto dos ocupantes – com menos vibrações – e aumentar a eficiência energética do modelo. Segundo a Chevrolet, a S10 Turbo Diesel está 13% mais econômica que sua antecessora. Assim, os preços das S10 diesel com câmbio automático foram reajustados em cerca de 1% para cima. Agora são R$ 153.990 pela LT, R$ 171.590 pela LTZ e R$ 181.590 pela topo de linha High Country.

A tecnologia usada pela Chevrolet chama-se CPA e está presente no conversor de torque. Com a necessidade de diminuir emissões e otimizar o funcionamento dos motores diesel, os câmbios automáticos precisam trabalhar com rotações cada vez mais baixas do motor. É justamente nessa faixa de rotações que as vibrações são mais fortes e, como consequência, são transmitidas com mais força para a carroceria. O que o CPA faz é usar uma série de placas no conversor de torque, penduradas como pêndulos. A localização dessas plaquetas, peso e formato são meticulosamente calculados para anular essas vibrações em baixas rpm. Dessa maneira a S10 vibra menos e aumenta o conforto na cabine. Essa tecnologia já havia sido usada antes em SUVs com motores diesel, por exemplo, mas é inédita em picapes no Brasil.

No entanto, não é só no conforto que essa tecnologia ajuda. Com o CPA os engenheiros da Chevrolet puderam refazer a programação eletrônica do motor 2.8. Sem sacrificar a potência de 200 cv nem o torque de 51 mkgf, a S10 ficou 13% mais econômica. E não vá pensando que ela ficou mais lenta, muito pelo contrário. Segundo os números da GM, a aceleração de 0 a 100 km/h caiu de 10,9 s para 10,3 s. As retomadas também estão mais vigorosas, de 40 km/h até 100 km/h a S10 leva agora 7,9 s, antes eram 8,2 s. Esses números são possíveis porque a S10 com CPA consegue acoplar mais cedo e, dessa maneira, transmitir melhor a força para as rodas com menos perdas.

Chevrolet S10 High Country

CÂMBIO

Para acompanhar todos esses números novos – e se ajustar aos novos parâmetros de vibrações – a Chevrolet promoveu outras atualizações na picape diesel. A transmissão teve toda sua eletrônica refeita para lidar com os novos mapas de potência e torque. O alternador é mais inteligente, “roubando” menos energia do motor para carregar as baterias.

Para experimentar essa nova tecnologia, aceleramos a S10 High Country no campo de provas da General Motors em Indaiatuba, interior de São Paulo. Colocamos a picape tanto numa pista off-road quanto em vários tipos de asfalto. As novas calibrações ficam mais perceptíveis em baixas velocidades e em rotação mais lenta do motor. Se antes dava para sentir no corpo uma vibração do propulsor, agora essa sensação é mais leve. Quase nula. Mesmo com 4x4 e reduzida engatados. Dá para ouvir o diferencial trabalhando, mas não se ouve (ou se sente) muito do motor 2.8.

Muitas dessas inovações estrearam na irmã norte-americana da S10, a picape Colorado. É uma boa notícia que a Chevrolet consiga melhorar o consumo e desempenho do modelo sem precisar salgar tanto os preços. Em tempos em que os combustíveis são reajustados na base da canetada – e depois reajustados para baixo na base da liminar judicial – é bom saber que consumo e diversão ao volante não precisam ser inimigos. Falando nisso, já que a Chevrolet está olhando para os EUA, porque não lançar no Brasil uma versão ZR2 igual a da Colorado? Vai dizer que você não gostaria de uma S10 com motor 3.8 V6 com 308 cv?

Chevrolet S10 High Country

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