Avaliação: Aston Martin Vanquish S

A saída triunfal de uma majestade

Por Jonas Idranif // Fotos: Divulgação

A morte não é algo que faz bem para quem fica, e duvidamos que alguém na Aston Martin tenha sido corajoso o suficiente para dizer que o venerável Vanquish estava fazendo hora extra sobre a terra. Tudo bem, ele é um carro que já viu a gama ao seu redor desprezar sua estrutura e é alimentado por um anacrônico V12 aspirado, que a marca tem usado por duas décadas. Vale dizer que seu potencial substituto, o DB11 com nova plataforma e motor V12 biturbo, é melhor que ele em qualquer medida de comparação. Mas não é disso que se trata aqui.

O majestoso Vanquish, que aqui recebe a alcunha S no sobrenome como prenúncio do fim desta encarnação e uma leve facelift, custa US$ 80 mil extras frente ao novíssimo DB11, tem menos equipamentos, potência e torque. Mas dentro de um Vanquish você está no topo do Monte Aston. É impossível não perceber o apelo contínuo que este grandioso Tourer encarna nas ruas, um carro que faz um Bentley Continental GT parecer ser algo comprado na C&A.

O Vanquish S ganha mais potência para 2017. Um sistema de admissão mais livre flui para afiar a extremidade superior do V12 de 5.9 litros e eleva potência para 588 cv - ainda 20 cavalos menos que o novo V12 biturbo do DB11. Só que nada disso realmente importa. O Vanquish continua a ter um dos melhores motores do mundo. É especial desde o momento em que desperta com seu grunhido leonino; A maioria das montadoras que ainda produzem algum V12 os deixa sintonizado para soar suavemente. A Aston Martin não. Ele chega a ser raivoso. E pelo tamanho, é bom não duvidar muito de quem gira até as 7.000 rpm.


EX-MULHER

No entanto, essa fúria sonora não se reflete em experiência. Claro que o Vanquish é rápido, afinal chega aos 322 km/h e leva apenas 3,2 s para ir de 0 a 100 km/h. No entanto, falta o impulso quase instantâneo que só um turbo poderia lhe dar. O único lado positivo da aspiração natural é que a resposta do acelerador permanece cintilante e a transmissão ZF de 8 marchas ficou igualmente irritadiça.

As mudanças feitas no chassi do Vanquish S, embora modestas, tiveram efeito. As taxas da mola foram endurecidas por 10%, há também uma barra anti-rolamento traseira mais espessa, buchas de suspensão mais firmes e amortecedores Bilstein. No entanto, as expectativas de que este endurecimento irá deixá-lo incômodo vão por terra no primeiro contato com alguma imperfeição. Ele desdenha de estradas mais ásperas e sobressaltos tal qual sua ex-mulher faz com você. Acelerar o Vanquish S não é uma tarefa fácil. Você sente que está empurrando algo que tem o peso de um prédio. No entanto, sua desenvoltura impressiona a graças a níveis de aderência elevados e respostas de direção precisas, que também se beneficiaram da nova nitidez de suspensão.

A direção ganhou algum peso sobre o Vanquish normal, embora sem perda de sensação. Conduzir em estradas inglesas frias e gordurosas revelou outra vantagem da relativa falta de torque do motor: o Vanquish consegue encontrar uma tração impressionante onde os rivais turbo estariam lutando contra seus sistemas de controle de tração

Dentro, a cabine recheada à mão continua como sempre, com materiais bonitos e design elegante onde seus olhos alcançam. A arquitetura envelhecida não é problema para se detectar o quanto ele é especial. Sua construção deixa transpassar o ruído que emana lá fora. E isso nos faz pensar para onde vai um mundo que aposenta um membro da realeza em tão grande forma...

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