Aceleramos o Toyota C-HR, que chega ao Brasil em 2018

Feito para enfeitiçar os europeus, SUV da Toyota quer mesmo é conquistar o mundo

Por Jonas Idranif // Fotos: Divulgação

Às vezes você precisa de mais do que um hatch, perua ou minivan. Às vezes você necessita mesmo é de um SUV moderno, espaçoso e, claro, confiável. Esse é o caso com o novo Toyota C-HR, que deve vir para o Brasil em 2018 e que é pelo menos, até agora a grande atração da Toyota na Europa. Uma terra em que, bem diferente do Brasil, os japoneses ainda sofrem para implantar suas ideias automotivas.

O plano original era fazer o C-HR exclusivamente para a Europa, mas então outros mercados - incluindo os Estados Unidos e América Latina - deram uma olhada e não deixaram passar batido. Afinal, não é apenas a Europa que gosta de pequenos SUVs. A Toyota ainda é reticente em confirmar a data em que ele chega por aqui. O que é certo é que, assim como os americanos, teremos um motor diferente da especificação europeia que avaliamos.

LÁ DENTRO

De nome um tanto bobo, o Coupe High Rider é uma tentativa de você imaginar que comprou um ousado cupê, mas que vai dirigi-lo a 1,30 m do chão. Uma blasfêmia para um cupê, certo? Ele, na realidade, é um SUV de quatro portas com as maçanetas das portas traseiras incorporadas nas colunas C, algo que você já viu no Honda HR-V. O estilo é inegavelmente radical e até revolucionário para uma marca como geralmente conservador como a Toyota. É claro que muita criatividade reprimida foi gasta em sua criação, e apesar de tratarmos cupê e SUV como cão e gato no mundo do design, essa fusão funciona razoavelmente bem.

A cabine é apenas um pouco menos ousada. Há montagem de peças em torno dos pontos difíceis, e alguns equipamentos familiares de todo Toyota, incluindo o mesmo relógio digital que a empresa se encaixou no cantinho do monitor fixo do multimídia. Há muito brilho acontecendo na cabine, e saídas de ar inclinadas para acompanhar um painel anguloso. Há espaço decente na frente e – contra as expectativas de um cupê – na parte de trás, mas ali são menos sentidos em virtude das minúsculas janelas. Claustrofóbicos devem evitar viajar ali.


DOIS MOTORES. E O NOSSO?

Na Europa, o CH-R terá a opção de um motor de quatro cilindros turbo de 1,2 litro de 115 cv e um híbrido de 1.8 litro que praticamente reembala o motor elétrico do Prius, afinal tanto o C-HR quanto o famoso híbrido são baseados na plataforma TNGA da Toyota. Infelizmente, nenhum desses powertrains virá para o Brasil, pelo menos não inicialmente. O mais provável é que ele seja vendido aqui com o mesmo conjunto usado no Corolla atual, com o 2.0 flex de 153 cv.

Quanto ao câmbio, cabe uma ressalva sobre o CVT, uma vez que a Toyota deve começar a equipar seus carros com novas transmissões convencionais de oito e dez marchas a partir do ano que vem.  Teremos que esperar até que o carro chegue ao estado para lhe dizer como é o motor no C-HR, já que não tivemos a chance de prová-lo no lançamento europeu.

Dá certo desapontamento imaginar que esse 1,2 turbo não estará entre nós. Este pequeno motor compensa sua relativa falta de poder de fogo com uma saída de torque que é muito plana para ser descrita com precisão como uma curva – o pico de 18,8 mkgf está disponível a partir de 1.500 rpm até 4.000 rpm. A sensação é de fôlego constante, que morre um pouco antes de o conta-giros atingir as 5.600 rpm. A bordo parece que ele vai mais rápido que os 11,4 s que leva para ir de 0 a 100 km/h, segundo a Toyota, especialmente trabalhando com o câmbio de 6 marchas manual, padrão na Europa, algo que certamente não teremos por aqui. Os europeus terão também uma transmissão CVT disponível.


NÜRBURGRING

Já o híbrido se comporta praticamente da mesma maneira que o Prius, só que 50 cm acima do normal. A assistência elétrica o torna mais silencioso quando se usa o carro suavemente, mas a dinâmica permanece lenta e sem vida, como em qualquer híbrido civil. 

Algo que se pode elogiar é a direção do C-HR, especialmente se você se lembrar que está em um Toyota. Com assistência elétrica não tem sensação além de seu peso bruto, e velocidades de curvas mais otimistas resultam em pouca subviragem, mas o C-HR é confortável e refinado no ritmo que o dono de um SUV é mais feliz. O chassi não oferece grande parte da emoção prometida pelo estilo, nem demonstra ter sido desenvolvido Nürburgring Nordschleife, mas ele vai bem, tem uma quantidade decente de aderência e consegue entregar tensão e agilidade quando solicitado.

Ao final dessa experiência, nos resta uma pontinha de certeza de que o C-HR deve vender bem em qualquer lugar onde seus pneus toquem. É muito mais ousado do que seus concorrentes e mantém os padrões Toyota de neutralidade e confiabilidade. Além de surpreender no segmento compacto, deve mudar a visão de quem pensa em um SUV da Toyota olhando para SW4 ou RAV4, duas propostas convencionais demais perto de algo que veio para abalar e conquistar boa parte do mundo.


Compartilhe esse conteúdo



Comentários