Aceleramos o novo Honda CR-V

Para evitar a derrocada, ele se reinventa. E ganha motor turbo

Por Daniel Rigo // Fotos: Divulgação

A Honda teve seus altos e baixos nos últimos anos, mas o CR-V tem sido uma das pedras que sustentam a casa no mundo. Para você ter uma ideia, até outubro de 2016, quando a nova geração foi lançada lá fora, o crossover correspondia a 25% do volume anual de vendas da Honda nos EUA. E ela sabe que se você quer continuar vendendo pãezinhos é melhor não mexer na manteiga. Aliás, o antigo CR-V vendia tão bem que o novo modelo foi lançado meio que secretamente. Há pouco tempo, quando ele ainda estava chegando às lojas americanas, o novo CR-V era discutido em voz baixa, assim as vendas do atual continuavam bombando.

TOP SECRET

A Honda não precisa ficar preocupada. A nova geração não ganhou barbatanas, nem um V12 opcional ou sistema anti-gravidade. Na verdade, enquanto dirigíamos o modelo 2017 no norte da Califórnia durante o evento de lançamento, ninguém sequer notou o novo CR-V. Não tenha dúvidas de que é isso o que os compradores do SUV da Honda gostariam, pois mesmo quem compra o modelo pela primeira vez espera encontrar o carro versátil, equipado, confiável e acessível do qual eles ouviram falar. Tudo continua igual no novo CR-V.

Mesmo assim a Honda parece ter melhorado um pouco a luxuosidade do modelo, acrescentando recursos de carros maiores como a suíte Honda Sensing de tecnologias de segurança ativa, um pouco mais de robustez ao visual e uma dianteira mais séria e imponente. É quase como se Lee Iacocca estivesse no comando. O CR-V ganhou filigranas cromadas aqui e ali, incluindo um abraço à crescente mania da indústria de usar frisos cromados em forma de taco de hóquei como decoração das janelas. Bem, se isso é bom para os BMW e Range Rover, também deve ser bom para a Honda. Os LEDs nas lanternas, nas luzes diurnas e nas setas são outra pista de que este é o carro novo, assim como os farois "full LED" opcionais. O CR-V percorreu um longo caminho desde sua primeira geração com estepe na traseira e componentes da suspensão aparentes.


A Honda foi mais ousada no interior. Uma tela de 7" (agora com botão de volume) é a peça central de um painel agradavelmente aprimorado, com um incomum quadro de instrumentos de três zonas. A Honda, talvez por ser uma proeminente fabricante de motocicletas, tem sido corajosa por ir além do manjado arranjo convencional de velocímetro e conta-giros. No CR-V com seu quadro digital TFT o conta-giros (que não é assim tão necessário em um carro que não tem câmbio manual) se torna uma faixa no topo, e o velocímetro é uma leitura digital, ambas execuções parecem apropriadas para o carro. Os japas conhecem bem seus clientes, como fica evidenciado por algumas das pequenas mudanças, como as portas USB na traseira, o porta-objetos reconfigurado no console central e bolsos de portas reformulados, com porta-copos capazes de acomodar garrafas de um litro.

Os passageiros ganham um pouco mais de espaço graças ao alongamento de 40 mm no entre-eixos, o que dá aos ocupantes do banco de trás outros 53,3 mm de espaço para as pernas. Da mesma forma o compartimento de bagagem cresceu quase 25 cm com os bancos traseiros rebatidos.

O TURBO ENTRA EM CENA


Você pode escolher entre dois motores, mas somente uma transmissão: a automática continuamente variável (CVT). O modelo LX, de entrada, usa o 2.4 de injeção direta do Honda Accord, aqui com 186 cv e 24,8 mkgf, enquanto o 1.5 turbo de 193 cv e 24,6 mkgf equipa as versões EX, EX-L e Touring. Este último motor foi o que avaliamos (e o que deverá ser o escolhido para vir ao Brasil) e podemos dizer que ele tem uma pegada discreta e robusta, com amplo torque nas rotações mais baixas em sua tarefa de mover os 1.500 kg do Honda .

A determinação de tornar seus produtos novamente empolgantes se manifesta na boa dinâmica do chassi do CR-V e em sua direção precisa. Uma coluna de direção mais rígida e buchas de suspensão preenchidas com fluidos resultam numa rodagem mais complacente e melhor controle do traçado. Você pode apertar o ritmo com esse carro sem que ele pareça querer desmontar. Ele segura as curvas com confiança e estabelece uma linha direta entre o motorista e o asfalto. Talvez não seja surpresa que um dos primeiros trabalhos do líder deste projeto, Takaaki Nagadome, tenha sido a engenharia da carroceria do NSX original.

Como no Civic o câmbio CVT do CR-V parece um câmbio automático convencional. Ele "sobe" as marchas no topo de cada relação, um valor numérico acessível somente pelo software. Digamos que este CVT combina o melhor dos dois mundos: a familiaridade das trocas de marcha automáticas com uma variação contínua invisível ao motorista. E, diferentemente dos automáticos convencionais, não há o tranco do kickdown quando você afunda o acelerador para ultrapassar.


TUDO COMO ESTÁ

As três melhores características do novo CR-V são o nível de ruído baixo para sua categoria, mostrando um excelente isolamento em nossa avaliação; a direção tipicamente excelente da Honda; e seu interior generoso que pode conquistar até mesmo clientes em busca de um SUV maior, que poderão usufruir de um carro mais econômico e mais compacto.

A versão turbo de tração dianteira obteve uma média de 12,7 km/l em percurso combinado, e a versão turbo com tração nas quatro rodas marcou 12,3 km/l. Como em qualquer carro turbo, tudo depende de como você dirigir. Dirija como uma pessoa normal e você será recompensado com uma média de consumo melhor que a da maioria dos rivais do CR-V. Nem mesmo o Toyota RAV4 ou o Hyundai New Tucson chegam perto de igualar as médias de consumo do novo CR-V 1.5 turbo.

No Brasil, o preço do novo CR-V deverá mudar em relação a atual geração, aumentando cerca de R$ 150 mil para algo como R$ 180 mil. O lançamento é esperado para o final do ano ou o início de 2018.

TABELA

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