Aceleramos o novo e insano BMW M5

A BMW criou um M5 com tração integral, direção elétrica e... (prenda a respiração) câmbio automático com conversor de torque

Fotos: Divulgação | Texto: Scott Oldham

A estreia do Dodge Challenger SRT Demon já fazia uma semana e ainda estava bombando na internet. Suas especificações já estavam gravadas na memória dos fãs da marca, mas Dirk Häcker, vice-presidente de engenharia da BMW M ainda não tinha ouvido falar do muscle car mais potente já feito. “Quanta potência?”, ele pergunta. 851 cv. Ele balança a cabeça. “Tem câmbio manual?” Só automático, respondo. “Tração integral?” Não, tração traseira. Ele toma mais um gole da bebida. “Talvez meu filho tenha visto algo”, ele fala com uma pitada de escárnio. “Ele gosta de esportivos americanos.”

As perguntas de Häcker não surpreendem, considerando a mais recente criação de sua equipe, o BMW M5 2018, conhecido internamente como F90. Ele é o primeiro M5 com tração integral, direção elétrica e – para decepção de muitos – não terá opção de câmbio manual. E como se não isso não bastasse para deixar os fãs da BMW em pânico, a sexta geração do supersedã da BMW é a primeira com uma transmissão automática tradicional. Isso mesmo: o carro tem um conversor de torque.

Mas fique tranquilo. Algumas voltas a bordo dos protótipos (ainda camuflados, já que na época do convite a marca ainda não havia feito a apresentação oficial) do M5 no circuito de Miramas, o campo de testes da BMW no sul da França, mostraram que o carro tem potencial para ser o melhor M5 desde o E39. O maquinário pode ser herege, mas o carro em si é bom. Muito bom. Nem mesmo a divisão M pode ignorar a  popularidade dos sedãs de tração integral. Não quando os rivais do M5 estão movendo as quatro rodas.

BMW M5

A MÁGICA

Mesmo assim os engenheiros da divisão M reconhecem que todo M deve ser um carro prazeroso de dirigir. Por isso eles colocaram um modo de tração em duas rodas no sistema de tração integral que ignora completamente o eixo dianteiro independentemente do ângulo de deslizamento do carro. É algo inédito entre os modelos xDrive da BMW. Ao toque de um botão, toda a violência do motor é enviada para o diferencial traseiro eletrônico de deslizamento limitado, que foi remontado com novos platôs de carbono que podem ser totalmente abertos ou ficar completamente fechados.

O sistema de tração usa uma caixa de transferência do Série 7 xDrive fornecida pela Magna, embora os platôs agora sejam de carbono em vez de molibdênio para obter um controle mais preciso da temperatura e durabilidade. A divisão M da BMW tem mais engenheiros de software do que nunca, e é aqui onde a mágica acontece de verdade.

A unidade de controle, que fica instalada sob o carro, atrás do pneu dianteiro esquerdo, analisa o ângulo de esterçamento, posição do acelerador e torque, carga lateral e aceleração de cada roda motriz. Ele então determina quanta força de bloqueio é preciso aplicar ao acoplamento central e ao diferencial traseiro. Três ajustes aumentam progressivamente a vivacidade do M5: tração integral, tração integral esportiva e tração em duas rodas.

O sistema adiciona cerca de 65 kg, mas a BMW diz que este carro é 40 kg mais leve que o corpulento modelo anterior, que chega perto dos 1.990 kg. As medidas de redução de peso incluem o uso mais extensivo de alumínio no chassi, a nova direção com assistência elétrica e o teto de fibra de carbono, embora o modelo com teto solar ainda use a folha de aço. Também há uma bateria de íons de lítio. A dieta, combinada com a aderência da tração integral, faz deste o M5 mais rápido já feito, segundo a BMW. Basta usar o controle de tração e ele chegará aos 100 km/h em menos de 3,5 s, mais de 0,5 s mais rápido que o do seu antecessor.

Embora a massa total tenha diminuído, a distribuição ficou ligeiramente mais dianteira. Também há menos diferença na largura dos pneus. Mas não se preocupe: a aderência é impressionante. Em Miramas, o sedã parece leve e revela sua natureza amistosa no limite de aderência dos Michelin Pilot Sport 4 S, de 275/35 na frente e 285/35 na traseira.

BMW M5

8 MARCHAS. COM CONVERSOR

É um carro fácil de dirigir rápido. A carroceria rola apenas o suficiente para sentir quando o carro assenta, e ele rotaciona muito bem com a frenagem. Mas nunca parece que irá rodar e te arremessar para fora da estrada. A resposta do sistema de tração integral é consistente, linear e previsível.

Este M5 é ágil, e faz drifts quando o sistema xDrive é configurado no ajuste de tração integral esportiva e o controle de estabilidade no modo M dynamic, que permite mais escorregamento dos pneus. No modo de tração traseira, com o controle de estabilidade desligado, é possível fazer powerslides como em um M3 E90.

A direção exige menos esforço que antes, e é 25% mais rápida, o que ajuda o carro a parecer menor e mais leve do que é. É um aprimoramento enorme comparado à direção do carro anterior. Também há mais sensibilidade, mas não tanta quanto em um Porsche Panamera. Os freios com discos de ferro são fáceis de modular e não perderam eficiência depois de sete voltas rápidas em Miramas. Os discos de carbono-cerâmica são opcionais.

As mudanças no chassi incluem leve aumento nas bitolas e novos amortecedores com tubo de alumínio. E ele usa subchassi traseiro isolado por borracha. Este será o M5 mais rápido em  Nürburgring

O motor é forte, mas muito familiar. Conhecido internamente como S63, é o mesmo V8 4.4 biturbo com injeção direta e comando variável de válvulas que equipava seu antecessor, mas modificado para produzir mais potência e durabilidade. Os turbos instalados entre as bancadas de cilindros são maiores e produzem mais pressão, e a BMW também aumentou a pressão da injeção de combustível para uma entrega mais precisa e volumosa.

Há também uma nova bomba de óleo de maior capacidade e um novo cárter, necessário para acomodar o sistema de tração integral. A direção do fluxo de óleo também foi ligeiramente modificada, mas Häcker não disse como. Ele também não falou sobre as modificações no sistema de arrefecimento, embora tenha admitido que a bomba de água tem maior capacidade.

Os resultados também são familiares, já que eles são parecidos com os do M5 2016 de 582 cv com o pacote Competition. A potência salta para cerca de 600cv e o torque vai de 69 mkgf para cerca de 72 mkgf. O limite de rotações continua em 7.250 rpm.

O sistema de escape foi reprojetado e aliviado, e agora ronca mais alto que antes, e há um novo botão no console para torná-lo ainda mais alto. Seu ronco é grave, mas não desagradável. Infelizmente, a BMW continua a reforçar o rugido do motor através do sistema de áudio. Mais importante, no fim das contas, é que a troca do câmbio de sete marchas e embreagem dupla pelo automático de oito marchas da ZF não é algo de tirar o sono. É o mesmo câmbio usado na Série 7 e no X5, mas ajustado pela divisão M para esta aplicação. Segundo Häcker, o conversor de torque bloqueia antes mesmo do carro rodar 1,5 m, e chega muito próximo de não ter perda alguma de torque nas mudanças de marcha.

Ele tem um modo sport, um dos três níveis de intensidade de trocas, manipulado por um botão no seletor. No modo sport-plus o câmbio é telepático, sempre reduzindo marchas quanto você quer, e subindo as marchas no limite de rotações com uma pegada satisfatória. Use as borboletas e ele responderá rápido o bastante, e irá segurar as marchas no limite de giros. Você não sentirá falta da embreagem dupla.

A distinção visual entre o M5 e o M550i xDrive é feita pelo capô vincado, para-lamas dianteiros alargados e com respiros, pequenas abas nas caixas de roda traseiras, retrovisores M e dianteira e traseira mais agressivas. Por dentro o volante M mantém seus dois botões M Drive configuráveis, que servem de atalho para os ajustes favoritos entre as zilhões de combinações de acerto para a direção, suspensão, controle de tração/estabilidade e motor/câmbio.

A produção irá começar logo depois que o carro for apresentado no Salão de Frankfurt, em 12 de setembro. Todos os sistemas deverão migrar para o futuro Série 8. O M5 deverá chegar às lojas no início do ano que vem, quando todos já tiverem esquecido o Dodge Demon. No Brasil, só no final de 2018.  

BMW M5

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