Aceleramos o Nissan Kicks nacional

SUV abandona o México, vira fluminense e quer provar que mudou sem mudar. Como assim?

Fotos: Divulgação | Texto: Marcelo Moura

“Mudaram as estações, nada mudou. Mas eu sei que alguma coisa aconteceu, está tudo assim tão diferente”. Parafraseamos Renato Russo, morto há 21 anos, para falar sobre a linha 2018 do Kicks. Um ciclo completo de estações após o seu lançamento no Brasil, em agosto do ano passado, o SUV deixa de ser mexicano e passa a ser produzido na fábrica de Resende (RJ), ao lado do sedã Versa e do compacto March, com quem divide a plataforma. E a Nissan quer fazer você acreditar que nada mudou, mas ao mesmo tempo está tudo um pouco diferente. Vamos explicar.

A imigração não influencia diretamente no seu bolso, mas passa pela competitividade da marca na versão automotiva do Coliseu romano, o mercado de SUVs. Nesse terreno que nasce nos R$ 60 mil e ultrapassa os seis dígitos, ou você mata ou morre. A saída do México permite que a Nissan se livre dos limites estabelecidos pelo acordo de cotas – acima de certo número é preciso pagar o imposto de importação –, ganhe mais versões e armas suficientes para derrubar a concorrência.

Com isso o Kicks, antes reduzido a duas configurações, ganhou uma nova versão de entrada, a S, com câmbio manual de cinco marchas, que parte de R$ 70.500. Há também uma inédita e exclusiva para PCD (ou motoristas com necessidades especiais), com câmbio CVT ao preço de R$ 68.640. Mas a que realmente interessa nessa avaliação é a topo de linha SL, que sai por R$ 94.900, R$ 1.400 extras em relação ao mexicano. Aqui é que fica mais claro esse jogo maluco de muda e não muda.

Nissan Kicks SL nacional

HERBERT RICHERS

A maior dúvida que você pode ter quando um carro passa a ser nacional é saber se a versão Herbert Richers local mantém a qualidade do gringo. É onde a Nissan quer provar primeiro que tudo permanece intacto. Realmente não há diferenças. O interior segue com o acabamento refinado e materiais de boa qualidade. O acerto de suspensão (independente McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira) continua focado no conforto sem comprometer a estabilidade, e o desempenho do 1.6 com o CVT traz a mesma honestidade, apesar dos números (114 cv e 15,5 mkgf de torque) sempre serem responsáveis por um involuntário franzir de sobrancelhas. Por outro lado, claro, as heranças negativas, como o minúsculo tanque de 41 litros, também permanecem.

Reconhecer um Kicks SL nacional pelo exterior é tarefa para os olhos mais atentos e especializados. A plaqueta de identificação na traseira foi reposicionada, enquanto as maçanetas receberam acabamento cromado. Há novas opções de cores, inclusive para o teto que antes era refém do laranja. E isso é bem pouco para se falar em mudança.

Mas e a lista de equipamentos, sofreu o poder da navalha? Aqui é onde a Nissan quer provar definitivamente que o Kicks brasileiro tem um quê de diferente. O SUV mantém itens importantes como as câmeras 360º, os seis air bags, controles de tração e estabilidade, controle dinâmico de chassi e o detector de objetos em movimento. Mas há também o acréscimo de três novidades: retrovisores com rebatimento elétrico, central multimídia com o novo sistema Multi-App (com suporte Android e Apple CarPlay) e um pacote chamado Pack Tech, que inclui faróis de LED, alerta de colisão e assistente de frenagem automática. O problema é que esse último está disponível apenas como opcional por R$ 2.400 extras. Como nós falamos no começo, mudou. Mas não mudou.

Nissan Kicks SL nacional

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