Aceleramos o Mercedes C300 Cabrio

Conversível enfrentou uma maratona de 1.000 km ao ar livre

Fotos: Divulgação | Texto: Raphael Panaro

Confesso: minha preguiça é maior que a vontade de fazer exercícios. Correr na esteira que nem um hamster (e não sair do lugar) ou puxar ferro, digamos, não é pra mim. Mas a vida nos obriga a fazer exceções. Quando o Mercedes-Benz C300 Cabriolet chegou à redação tive de deixar meu sedentarismo no sofá da sala e encarnar um queniano. O desafio era percorrer uma maratona de quase 1.000 quilômetros – ida e volta ao Rio de Janeiro. Topei porque gosto de praticar esporte ao ar livre.

Apesar da empolgação resolvi explorar o território e fazer observações antes de encarar a fundo o desafio. A taxa de inscrição não é das mais convidativas: R$ 308.900. Resolvo pegar leve inicialmente. Muito tempo parado... O aquecimento é indoor. Ao entrar no C300 sou logo surpreendido. Primeiro por causa do elegante tom vinho que domina o interior. Segundo pela qualidade dos materiais (couro e alumínio escovado) do acabamento. E terceiro porque ao sentar nos confortáveis bancos e fechar a porta, o suporte do cinto de segurança se projeta para frente e leva o equipamento até o alcance de minha mão. Ao travar o cinto, o suporte volta para a posição inicial. O começo é promissor.

Iniciando o trote. O botão do lado direito do volante acorda o quatro cilindros 2.0 turbinado. Calibrado para gerar 245 cv, o motor é sereno e tem força suficiente para empurrar os 1.690 kg do pesado cabriolet. Como todo conversível, o C300 recebeu aquele reforço estrutural para manter a rigidez torcional perdida pela falta de cobertura. Já a transmissão automática de nove marchas faz um bom trabalho com mudanças imperceptíveis e atende prontamente solicitações de potência jogando marchas para baixo com agilidade.

CRÍTICO GASTRONÔMICO

O calçado do conversível não é muito apropriado para as ciclovias brasileiras. As rodas de 19” são vistosas e adotam pneus dianteiros 225/40 e traseiros 255/35. Juntamente com com molas e amortecedores mais rígidos, o conjunto copia todo o relevo por onde passa e os solavancos urbanos são inevitáveis. E também sabemos que pisar errado gera algumas dores lombares, né?

Passada a ambientação chega o momento de encarar o desafio. Pressiono um discreto botão no console central e o ar não tão puro começa a soprar incessantemente. Em menos de 20 s a capota retrátil de tecid0 é aberta. Vale lembrar que a operação só é feita em movimento com velocidades até 50 km/h. A capota, inclusive tem seu lado fashion com um leque de cores: azul e vermelho escuros, marrom e preto.

No trecho de estrada, o asfalto liso e o vento me dão confiança para imprimir um ritmo mais acelerado – e sem suar. O modo Eco é rapidamente trocado pelo Sport+ (existem ainda o Comfort, Sport e Individual), onde o acelerador fica sensível, o câmbio faz as trocas em giros mais altos e a direção, que já é mais apurada que paladar de crítico gastronômico, fica ainda melhor. Nesse ritmo, as rodas grandes, os pneus largos e a suspensão firme – sempre com a companhia da tração traseira – fazem sentido e o conversível  desliza. Ele mergulha para onde o volante aponta com enorme facilidade e sem dramas. Para o velocímetro chegar aos 100 km/h são módicos 6,4 s.

FELIPE MASSA

Perto de bater 1.000 quilômetros do desafio noto que não escorre uma gota de suor de mim. A explicação é que o C300 Cabriolet tem controle climático, que reage conforme abertura ou fechamento da capota. Ajustes especiais com a capota aberta permitem o resfriamento ou aquecimento, conforme necessário, e o sistema também responde com sensibilidade às situações de transição entre as condições climáticas. Se tiver outra maratona desse tipo, encarno o Felipe Massa e desaposento meu sedentarismo mais uma vez. Sem pagar ingresso, claro.

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