Aceleramos o Citroën C4 Lounge Origine Manual

É muito fácil gostar de um Citroën DS3, mas e se ele vier com porta-malas, volante de van e cara de quem vai dormir?

Por João Anacleto // Fotos: Divulgação

Mesmo no mundo do sedãs, sisudos por natureza, o C4 senta-se à direita na ala mais conservadora. Racional demais para a sua idade, só deixou de parecer um virgem de 25 anos quando a marca tirou debaixo do capô o antigo 2.0 aspirado, e colocou apenas o 1.6 THP flex para impulsioná-lo. O elogiável conjunto de origem BMW conseguiu transformar este senhor em alguém mais inspirador, quase admirável.

Em 2017 ele deu um passo além, em especial para Viciados em Carro, como eu e você. O C4 Lounge mais barato, agora, vem com câmbio manual de 6 marchas o que eleva seu desempenho a um padrão de prazer em dirigir igualado apenas pelo DS3 dentro da marca. E isso não é pouco, afinal já provamos na pista que ele é o melhor compacto esportivo vendido no Brasil. Toda essa expectativa ainda tem preço convidativo. Por R$ 73.590 você não compra nada que lhe divirta tanto. Um DS3 custa R$ 92.900. Um Honda Civic Touring sai por R$ 124.900.

A bordo, as primeiras impressões são de que você guia um atleta veterano. E ele está bem, mas ainda de pijamas. Sensorialmente, é fácil perceber uma embreagem leve demais para uma alavanca de câmbio tão precisa quanto um estilete. Só vale lembrar, como sempre, que o volante do C4 Lounge é a parte do carro que mais camufla o seu potencial esportivo. É quase como dirigir de pantufas, só que nas mãos. Em qualquer versão, a capacidade de parecer mais agradável e dinâmico ao dirigir se esvai em virtude de a peça parecer ter sido desenhada por Jean-Marie Le Pen. Ah, e seus bancos também poderiam estar mais baixos. É tudo o que se tem a reclamar.


Poucos metros rodados, com intenções mais liberais, e ele mostra ser melhor do que o imaginado. Em trechos urbanos, os 24,5 mkgf de torque disponíveis a apenas 1.400 rpm são um prato cheio para acelerações e retomadas mais rápidas, baixando marchas em trechos curtos. O turbo lag existe, mas é mínimo. Em um carro com câmbio manual, obviamente, tudo depende de você entender a máquina. Se quiser acelerar em 3ª marcha aos 30 km/h, vai imaginar que haja algum buraco na curva de força. Nesse caso, compre um trator. O C4 roda liso, sempre entregando mais a cada marcha. Nenhum outro sedã que custe menos de R$ 100 mil estará tão bem disposto.

É fácil se adaptar ao carro também pelas rodas de 16”, que incomodam menos que as 17” ao passar por buracos, especialmente se você estiver rápido. Pode parecer bobagem gostar de um conjunto menor, mas desse jeito o carro quica menos e não sofre tanto com irregularidades, como fendas no asfalto.  Em suma, ele não requer cuidados demais. E isso é bom.

A parte ruim fica pela desvalorização no primeiro ano, que chega próxima dos 20%. O mercado nacional aceita mal um sedã médio sem câmbio automático, bancos de couro, multimídia... E isso gera tal perda de liquidez. A Citroën também parece manter o carro apenas para fazer uma experiência e oferecer algo mais em conta para potenciais compradores. A versão Origine manual deve corresponder a menos de 5% da produção enviada às concessionárias. Se você gosta mesmo de dirigir, corra e garanta o seu.

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