Aceleramos o Audi Q5, que chega em julho

Agora feito no México, SUV ficou mais leve e mais divertido. Lançamento no Brasil está previsto para as próximas semanas

Por Luiz Guerrero // Fotos: Divulgação

É intrigante: estamos ao volante de um SUV de 4,66 m de comprimento por 1,66 m de altura e 1,7 tonelada de peso, mas a sensação é a de estar dirigindo um sedã esportivo. Faça curvas rápidas com o novo Audi Q5 e os sistemas de auxílio à estabilidade dificilmente entrarão em ação. Nas retas, o carro é igualmente estável como uma rocha. E é rápido.                       

A segunda geração do Q5, revelada no fim de 2016, foi desenhada à imagem do Q7, ganhou aparência mais atraente e manteve boa parte dos recursos para garantir confortável vida a bordo. Mas o grande salto se deu na dinâmica. O SUV chega ao Brasil em julho, trazido do México, nas versões 2.0 TFSI de 255 cv e Security com blindagem de fábrica nível III.

A BASE DE TUDO

A responsável em boa medida pelo comportamento dinâmico do Q5 é a plataforma MLB evo, que estreou em 2015 com o Q7. A arquitetura segue o mesmo princípio da MQB – sim, aquela base modular da VW que sempre elogiamos aqui – que são a elevada rigidez e o baixo peso. Nela também são erguidos os Audi A4 e A8, o novo VW Touareg, o Bentley Bentayga e os futuros Lamborghini Urus e a nova geração do Porsche Cayenne. Boa parte dos 90 kg que o Q5 perdeu em comparação ao modelo anterior é atribuída à nova plataforma que também permitiu a instalação da suspensão com cinco braços oscilantes nos dois eixos.

Nas versões quattro, com tração integral (que virão para o Brasil), o conjunto de suspensão conta com controle eletrônico de amortecimento integrado à plataforma eletrônica – outro recurso para adaptar o SUV ao tipo de terreno em tempo real. Há cinco modos de ajuste da suspensão, do mais confortável ao off-road. Como opção, o Q5 pode vir com suspensão pneumática, com curso variável conforme o modo de condução. As rodas originais são de 17 polegadas, mas desde que você pague, pode equipar o Q5 com rodas de até 21 polegadas. Se puder, escolha as de 18 polegadas que combinam melhor com o porte do carro.


O Q5 vem de série com direção eletrohidráulica e opcionalmente com a direção dinâmica, que altera a relação de desmultiplicação de acordo com a velocidade – em manobras, aumenta o número de voltas do volante e em alta velocidade, diminui. O sistema só pode ser aplicado em associação com o câmbio automatizado Stronic de sete marchas. O carro que dirigimos no México estava equipado com o sistema dinâmico de direção: você só percebe que é um belo auxílio quando tem de fazer manobras rápidas em alta velocidade.

Por que a Audi nos levou ao México para dirigir a novidade? A partir de agora, o Q5 será fabricado na nova fábrica da empresa, inaugurada ano passado em San José Chiapa, naquele país – local estratégico para abastecer o maior comprador do modelo, o mercado americano. China e Índia também fabricam o SUV. Antes de colocar o carro nas bem pavimentadas estradas mexicanas (sinalizadas com uma faixa vermelha nas descidas de serra para orientar caminhões sem freio) o programa previu visita às principais instalações da fábrica, um ambiente que nos pareceu grande demais para produzir apenas um modelo.  Desde o lançamento, em 2009, foram construídos 1,6 milhão de Q5, o que leva a empresa a afirmar que se trata de um dos SUVs mais vendidos do mundo.

DUPLA AFINAÇÃO

O novo desenho do Q5, no qual se destaca a grade cada vez mais generosa dividindo os faróis cada vez mais estreitos, passa a impressão de se tratar de um SUV maior e mais pesado – sensação que se desfaz quando você assume o volante. O disposto, e agora revisado, quatro cilindros turbo tem grande participação nisso:  com torque aflorando a partir de 1.600 rpm, faz o carro arrancar com disposição e sua potência de 255 cv permite que se alcance os 237 km/h de velocidade máxima sem muito esforço.


A transmissão Stronic, agora embalada em caixa 16 kg mais leve e com novas engrenagens de conexão com o diferencial dianteiro, também foi revisada. É um conjunto que atua com o motorista por telepatia. Com a afinada dupla motor-câmbio, o 0 a 100 km/h é feito em 6,3 s, de acordo com as medições de fábrica. O consumo aferido pelo computador de bordo em estrada foi de 12 km/l.

Quem já conhece o Q5 vai se sentir familiarizado com o arranjo interno do SUV. Mas também vai perceber o emprego de materiais de melhor qualidade percebida. Os bancos ganharam formato mais anatômico, as saídas de ar foram deslocadas e agora há uma superfície no console central para você manejar o sistema de entretenimento com a ponta dos dedos.

A partir de agora o Q5 também pode ser equipado com o que a Audi chama de Virtual Cockpit, aquele cluster em TFT personalizável. Sim, faz muita diferença em relação ao cluster convencional. Mas, a depender do preço que a Audi pedir por ele, será um item dispensável.

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