Teste: Hyundai Creta 1.6

Menos potente, Creta 1.6 passa de ano. Mas sem honras

Por Raphael Panaro // Fotos: Bruno Guerreiro

A conta é simples: se a Hyundai espera que 60% dos Creta sejam vendidos com motor 2.0, não precisa ser o famoso matemático suíço Leonhard Euler para descobrir que os outros 40% restam para a motorização 1.6 flex. Nessa matemática o Creta 1.6 fica de dependência, mas no final tudo dá certo. O desempenho é razoável e o acabamento e equipamentos ficam no negativo. 

O custo/benefício é a carta na manga das três versões com esse motor. No entanto, subtraia duas dessas que trazem câmbio manual: a de entrada Attitude, de R$ 72.990, e a mais equipada Pulse, de R$ 78.290. A marca quer produzir tais versões na ponta do lápis e ficar de olho na demanda. Isso porque elas funcionam mais como marketing do que propriamente refletem em pedidos de nota fiscal.

Se você for a uma concessionária da Hyundai e quiser um Creta 1.6 indubitavelmente você encontrará a versão Pulse AT para pronta-entrega. Mais certo que nota vermelha em boletim é a preferência do consumidor de utilitários compactos pela posição mais alta de dirigir e do conforto que o câmbio automático proporciona (apesar de algumas vaciladas). E essa opção custa R$ 85.240. A mira é certeira no Jeep Renegade 1.8 flex automático (R$ 85.990), no Honda HR-V mais em conta com câmbio CVT, de R$ 86.800, e também na nova versão intermediária SV Limited do Nissan Kicks, que está à venda por R$ 84.900.

No quesito equipamentos, a versão Pulse 1.6 AT6 já vem com a grade hexagonal cromada, controles de estabilidade e tração, rodas de 17" e chave canivete. O sistema de som é mais simples. Chama blueAudio – e não BlueNav só disponível na Prestige 2.0 – e tem visor LCD de 3,8", Bluetooth, USB e rádio AM/FM. Piloto automático, sensor de estacionamento traseiro e volante multifuncional são mais alguns itens.


BOLETIM

O motor é o Gamma 1.6 flex da família HB20. Para o Creta a Hyundai fez algumas alterações. O comando de válvulas é variável na admissão e no escapamento, contra apenas na admissão no HB20. Além disso, o coletor de admissão de ar possui geometria variável. Os engenheiros também recalibraram a potência para 130 cv – ante os 128 cv  habituais. A Hyundai diz que o Creta 1.6 AT faz, com gasolina, 10,1 km/l na cidade e 11,3 km/l na estrada. O registro com etanol é de 7,1 km/l no trajeto urbano e 8,2 km/l na rodovia.

Nas belas ruas rodeadas de casarões em Jurerê Internacional, em Santa Catarina, já foi possível perceber a diferença do 2.0 para o 1.6. No trecho urbano essa distância é menor. O carro trafega bem, o câmbio automático de seis marchas faz trocas rápidas para sempre manter os giros baixos. Só em retomadas que a caixa fica pensativa. O torque de 16,5 mkgf tira o SUV da inércia sem grandes dificuldades.

O sistema start/stop tem funcionamento suave e não gera muitas vibrações ao ligar e desligar.  Já em rodovia o 1.6 fica em recuperação. Ele parece fazer mais força do que deveria – especialmente após 100 km/h. E quando é exigido, o ruído tira nota 9.

 A posição de dirigir do Creta não é tão alta quanto no Nissan Kicks, por exemplo. A regulagem de altura do banco permite ficar mais perto do assoalho. Tá bom, nem tanto assim.

Sem a perfumaria dos bancos de couro marrom, o acabamento é totalmente preto. Isso escancara a simplicidade dos plásticos e a ausência de superfícies macias. Não é que falte qualidade, mas para um SUV de mais de R$ 85 mil, a escolha de materiais poderia ser mais criteriosa.

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