Teste: Equinox, o anti-Compass da Chevrolet

Substituto do Captiva chega no 2º semestre com desenho agradável, motor 1.5 turbo e a missão de ser o protagonista entre os SUVs médios

Por Don Sherman // Fotos: Divulgação

As vendas de crossovers no Brasil já somam quase 150 mil unidades apenas nos primeiros cinco meses de 2017. É óbvio que eles se tornaram os queridinhos dos brasileiros. Mais de uma dúzia de concorrentes se amontoam como abelhas em uma flor, esforçando-se para oferecer a melhor combinação de recursos, praticidade, desempenho, economia e custo/benefício. O que estes hatchbacks elevados sacrificam em estilo, agilidade e prazer ao volante, eles compensam com espaço para cachorros e capacidade de rebocar jet-skis.

E aparentemente cada novo desafiante traz mais desempenho e economia de combustível de motores cada vez menores. Isso é especialmente verdadeiro no caso do Chevrolet Equinox 2018, que foi totalmente renovado. Sua nova plataforma desenvolvida pela Opel elimina 12 cm no comprimento e dezenas de quilos do peso. Apesar do entre-eixos 13,2 cm menor, o espaço interno para os passageiros e bagagem permaneceu praticamente intacto. Com menos peso para transportar, seu motor turbo de quatro cilindros não teve dificuldades em superar as médias de consumo do modelo anterior, chegando a mais de 12,5 km/l em percurso rodoviário.

Neste primeiro contato com o carro testamos o Equinox AWD Premier, com tração integral e embalado pelo motor 1.5 turbo de 170 cv a 5.600 rpm e 28 mkgf de torque entre 2.000 e 4.000 rpm. Como comparação, nosso crossover favorito, o Honda CR-V, produz 190 cv e 24,7 mkgf com seu 1.5 turbo.

Como seu nome sugere, o Premier é o melhor Equinox que você pode comprar, o patamar mais alto de uma escada de quatro degraus. Partindo de US$ 35.330 com tração integral, o Premier traz câmbio automático de seis marchas, faróis e lanternas de LED, bancos de couro, aquecimento e ventilação nos bancos dianteiros, volante com aquecimento, bancos traseiros com aquecimento, ar-condicionado de duas zonas, chave presencial e partida remota. O sistema OnStar inclui um roteador wi-fi 4G LTE, enquanto o sistema multimídia MyLink é controlado por uma tela de oito polegadas e oferece Bluetooth, Apple CarPlay e Android Auto.


A lista de recursos avançados de segurança do Equinox inclui alerta de colisão frontal, alerta de mudança involuntária de faixa, assistente de permanência na faixa, e frenagem autônoma em baixa velocidade, embora o cruise control adaptativo não esteja incluído no pacote. Uma série elaborada de sensores e câmeras fornecem alerta de pontos cegos, assistente de estacionamento, câmera de ré e câmera perimetral.

A inclusão de dois opcionais em nosso recheado Premier aumentou o preço para além dos US$ 39.000: US$ 395 pela pintura Cajun Red mais US$ 3.320 pelo pacote Sun, Sound and Navigation, que inclui um teto solar elétrico, rodas de 19", sistema de navegação, e sistema de áudio Bose com sete alto-falante com recepção de áudio HD. Será possível passar dos US$ 40.000 quando a linha de motores for incrementada com os novos 1.6 turbodiesel de 140 cv e 2.0 turbo de 255 cv a gasolina. No Brasil ele custará a partir de R$ 150 mil.

MELHORIAS QUALIFICADAS

Comparado com o Equinox anterior, este modelo de terceira geração é cerca de 160 kg mais leve, uma redução significativa considerando sua lista mais recheada de itens de conforto e segurança. Com os pneus Hankook Ventus 235/50 R19, o novo Equinox viu sua aceleração lateral saltar de 0,79g para 0,86g, permitindo que esta nova versão supere concorrentes como o Ford Escape, o Honda CR-V, o Jeep Cherokee, Subaru Forester e Toyota RAV4 — todos eles equipados com tração integral, exceto o Escape.

Também observamos uma frenagem exemplar de 110 km/h a zero, com apenas 49 metros — uma vantagem surpreendente de 5,5 a 7 metros em relação aos rivais. É a distância entre um quase-acidente e uma batida forte quando o trânsito à frente para subitamente. Além disso, o pedal de freio do crossover é firme e fácil de modular quando você tenta frear de forma agressiva sem acionar o ABS.


Para ver o quanto o desempenho seu desempenho aprimorado em frenagem e em curvas beneficia o comportamento dinâmico do carro, demos ao Equinox a chance de mostrar seu talento em nosso Norsdschleife pessoal. A primeira observação foi uma rodagem sutil o bastante para aliviar as imperfeições do asfalto, sem reverberações pela carroceria significativamente mais rígida. Há resistência à rolagem suficiente para manter a cabine alinhada com o mundo nas sequências de curvas em alta velocidade. A ativação do botão AWD reduz a probabilidade de destracionamento durante acelerações mais fortes, mas o acoplamento do eixo traseiro não afeta a dinâmica de modo perceptível.

A direção com assistência elétrica se mostrou bem calibrada com um ponto morto bastante estreito com o volante centralizado. Em depressões, ondulações e irregularidades do asfalto o Equinox manteve sua trajetória sem a necessidade de correções para conseguirmos tangenciar as curvas. Notamos alguma comunicatividade no volante, mas como sempre, faltou um pouco de feedback.

Infelizmente o conjunto mecânico do Equinox não cumpre sua parte do acordo. Os 8,9 segundos na escalada aos 100 km/h e os 16,9 segundos no quarto de milha colocam este carro no fim da fila, atrás do Toyota Rav4 (8,4 e 16,7 segundos, respectivamente). Eles seguem o CR-V 1.5 e o Hyundai Tucson 1.6, ambos turbinados e capazes de chegar aos 100 km/h em menos de oito segundos. Pior ainda: a transmissão do Equinox é tão preguiçosa para reduzir as marchas que uma simples ultrapassagem te faz suar frio.

Registrando 81 decibéis durante a aceleração total e 70 em velocidade de cruzeiro, o Equinox também é mais ruidoso que seus rivais. Para melhorar a relação velocidade/ruído, sugerimos esperar o motor 2.0, que traz 50% mais potência e três marchas a mais. Abusando do motor 1.5 para acompanhar o tráfego e curtindo sua dinâmica nas estradas secundárias, conseguimos apenas uma média 9 km/l. Não seria surpresa se o motor mais potente se saísse melhor que isso.


O amplo teto solar clareou todo o interior preto do carro, exceto o quarto traseiro do carro, que ficou sombreado pelas grossas colunas C e D e pelas pequenas janelas escurecidas. Molduras de metal polido, costura de bom gosto e uma infinidade de couro perfurado forneceu um ambiente luxuoso, afetado apenas por um pouco mais de plástico duro do que se espera em um crossover desse preço. Aventurando-se além dos porta-copos, os designers de interiores providenciaram nichos bastante úteis para acomodar chaves e smartphone, e também há seis portas USB, uma tomada de 120 volts, e uma base de carregamento por indução para celulares e tablets.

Os bancos dianteiros são confortáveis, mas não tão firmes para segurar seu quadril quando a aderência lateral é explorada ao máximo. O assento elevado do banco traseiro é suficientemente largo para acomodar dois adultos ou três crianças. Duas alavancas soltam o encosto e o assento para providenciar uma superfície plana e quase nivelada com o porta-malas. Também há espaço extra abaixo do fundo do porta-malas.

O único inconveniente ergonômico é a distância do topo superior direito. O botão de volume centralizado abaixo da tela exige que se estique o braço. Para amenizar estes problemas, há botões isntalados nos raios inferiores do volante para selecionar as estações de rádio e ajustar o volume.

O Equinox tem sido um grande sucesso para a Chevrolet, acumulando mais de 2 milhões de unidades vendidas desde 2004. No Brasil, além dos tradicionais competidores da Honda e Toyota, ela encontrará um rival de peso: o Compass. Numa faixa de preço levemente abaixo, o Jeep tem conseguido resultado de vendas de gente grande. A briga será proporcional.

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