Dodge Charger R/T é surpreendente!

Civilizado, confortável, prático... Não parece, mas estamos falando de um pony car!

 

 



por Carter Jung - Fotos Guy Spangenberg

Digamos que você está interessado em comprar um carro. Não exatamente um carro, mas um modelo americano que se enquadra nas categorias dos pony ou dos muscle cars. Mustang, Camaro, Challenger, Charger... Os mais óbvios dos modelos de Detroit vêm à sua mente e você começa a pesquisar o catálogo dos importadores independentes ou fuçar nas revendas. E percebe que um deles não é igual aos outros: o Dodge Charger, em sua reinterpretação de 2006, tinha se perdido das características originais dos muscles dos anos 1960. Os outros mantiveram a configuração cupê e o relativamente pequeno porte (incluindo o Challenger).

Só o Charger cresceu, ganhou mais um par de portas e alguns cortes na faixa da cintura. Manteve os músculos, mas ganhou gordura, para falar francamente. Tornou-se um “imperador”, se é que você nos entende. Ao primeiro olhar, o Charger 2011 parece continuar crescendo – e dando um enorme passo em relação ao modelo de 2006. Bem, ele está um pouco mais largo (exato 1 cm, que levou sua medida aos 1,90 m), mas 0,5 cm menor (5,07 m). As bitolas aumentaram 1 cm na dianteira e 1,7 cm na traseira, com distância entre-eixos esticada 0,5 cm. Sua postura melhorou e, combinada com um estilo forte das portas e capô em alumínio, passou ao carro a sensação de ser maior. O fato é que o garoto cresceu. O anterior pesava 1.882 quilos; o atual, gritantes 2 toneladas!



Antes que você reclame “é muito peso para um atacante!” – especialmente quando comparado com Mustang, Camaro, ou Challenger, mais leves – considere que você ainda não se libertou daquela relação de longa data. As coisas mudaram, jovem! Decida-se por um carro prático e que não seja um mero meio de transporte e o robusto Charger vai ser sua melhor aposta.

 




Foi esse tipo de sentimento que eu tive quando dirigi o novo R/T. Em um mundo ideal, onde os homens vivem eternamente em uma loja de brinquedos, um quatro portas recheado com opcionais eletrônicos de segurança, como controle de cruzeiro com sensor anticolisão, detector de pontos cegos, câmera traseira e sensor de estacionamento, pode não parecer atraente. Mas é. Fora isso, o Uconnect, o novo
sistema de entretenimento da Dodge, é bem legal para um equipamento básico.

Tudo bem, o Charger ficou parecido com um sedã. Ou parou no meio do caminho entre um esportivo e uma minivan endiabrada. Mas no fator realidade (ou em uma conta bancária em conjunto),  a dupla extra de portas começa a fazer sentido.

Dodge Charger R/T impressiona!

Vamos começar com o básico: o Charger não é apenas um sedã qualquer, mas um grande sedã capaz de transportar adultos grandes, com ossos grandes. Adriano poderia se acomodar confortavelmente no banco traseiro e ainda convidar Ronaldo Fenômeno para dirigir. Apesar do tamanho extralargo, o cavernoso interior passa no teste de praticidade, com materiais de toque suave, climatização com dual- zone, keyless (aquela comodidade que faz você esquecer a chave no bolso para abrir as portas e dar partida) e entradas auxiliares de som.

 




A patroa vai aprovar. “Nossa, parece um Fusion!” Para fechar o placar da partida: o Charger tem 436 l de porta-malas; o Camry tem 424 l. Com o Dodge, podemos colocar mais malas e mais engradados de cerveja no bagageiro para viajar. Mas tudo isso tem um custo – e bem pesado, aliás. O Challenger, o mais parrudo dos três pony cars, é quase 130 kg mais leve que o Charger. Comparado com o Mustang, o mais simples do grupo, o Charger pesa 375 kg a mais.

Dodge Charger R/T tem 370 cv


Apesar da massa, o 5.7 Hemi V8 encontrado na versão R/T, com 370 cv e 55,7 mgkf de torque, levam o Charger aos 100 km/h em 5,2 segundos. Os 400 metros são percorridos em 13,7 s, batendo o Mustang GT. E ele ainda consegue ser mais rápido que o Challenger R/T, graças aos pneus melhores. Estes números podem não impressionar sua esposa, mas o consumo pode: o V8 Hemi com a tecnologia de economia de combustível (o motor desativa quatro cilindros quando não são necessários os oito) ajuda o Charger a registrar consumo médio de 10,6 km/l na estrada e 6,8 km/l na cidade.


 

Dodge Charger R/T roda silencioso

Na prática, com o silêncio na cabine, ele não parece tão rápido. Com o motor em força total, o Charger,  com a ajuda do espesso monobloco, as espumas de isolamento e para-brisa e vidros dianteiros duplos, é notavelmente quieto, com 73 dB. Muito abaixo de figurões como o Mustang, Camaro e Challenger.

De fato, o Bentley Continental Flying Spur Speed e seus 79 dB é mais ruidoso que o Dodge. E isso gera um problema sério para o bolso (e para seu prontuário no departamento de trânsito): é preciso estar atento ao ponteiro vermelho do velocímetro a todo instante, e não raramente precisamos acionar os freios. Com pinças de quatro pistões na dianteira e dois pistões na traseira, e as pastilhas mais eficientes do opcional Super Track Pak, o grande Dodge estanca vindo dos 130 km/h em 63,7 m e vindo dos 100 km/h em 36,3 m. As distâncias só não são melhores que as do Mustang GT.



O surpreendente é como o Charger é sólido em curvas traiçoeiras. Você deve pensar que dirigi-lo seria como navegar em águas turbulentas, com medo de qualquer buraco no asfalto. Mas ao provocar o Dodge em um trecho sinuoso, a suspensão dianteira independente e a traseira multilink trabalham em sintonia. E os mesmos pneus que aderem feito grude na aceleração ajudam na estabilidade – são os Goodyear Eagle F1 Supercar, montados em rodas de 20 polegadas, um opcional do pacote Super Track que vale o investimento.

Dodge Charger R/T: o anti-BMW!

 

O chassi é magnífico. E, mais que os benefícios na suspensão, o Super Track Pak contempla relação de diferencial mais curta, três modos de controle de estabilidade (que pode ser desativado), direção mais firme e os já mencionados freios mais parrudos. Nas saídas de curva, é importante estar com o motor cheio, porque esperar a decisão do câmbio automático com cinco marchas (a única disponível) pode ser um pouco incômodo.



Comparar o Charger com algum pony atual é um pouco difícil, e não só por causa das portas extras e do interior generoso. É muito mais que isso. Claro, eles são filhos de Detroit e têm o aroma que apenas os caras com gasolina misturada no sangue carregam. Mas o Charger ainda oferece o novo motor Pentastar V6 3.6 de 292 cv e tração integral opcional. Tudo bem, as lanternas lembram as de um Falcon, mas o que temos é um sedã com acabamento e opcionais elegantes. E, o mais importante, tração traseira, fazendo do Charger o único modelo americano (fora os Cadillac) a brigar com os europeus.

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