A volta da Dama Branca: aceleramos o Maserati Levante

Com seu inédito SUV, a Maserati olha nos olhos do Porsche Cayenne... E dá uma piscada

Por Josh Jacquot // Fotos: Marc Urbano

A Maserati já fez isso antes. Preservar valores que mexem com a emoção das pessoas ao mesmo tempo em que se administra a realidade financeira de uma fabricante pequena nunca foi fácil. A última vez que a Maserati passou por isso, contudo, os Lamborghini ainda dividiam o campo com os touros, em vez de ser inspirados neles.

Em 1957 a Maserati era uma fabricante de esportivos de baixo volume de produção e de carros de pista de volume ainda menor. Na época isso também era uma preocupação das empresas independentes, distante da cobertura e da proteção de sua empresa-mãe, a Fiat Chysler. Quando seu protótipo Dama Branca ficou pronto naquele ano, o modelo abriu o caminho para a produção do 3500 GT, um carro com volume de vendas relativamente elevado lançado em um mercado sedento por sua combinação de velocidade, ronco e elegância italiana.

MAS OS TEMPOS MUDARAM

Em 2017 ter um carro com grande volume de vendas significa ter que vender um SUV. O Levante se apoia no Ghibli, o que faz dele um SUV baseado em um carro. Embora ele possa atrair mais consumidores com essa plataforma, a concorrência é acirrada no universo dos crossovers de luxo. No ano passado a Bentley e a Jaguar se renderam à tentação dos SUV mesmo colocando em risco sua imagem com os entusiastas. Nos próximos dois anos a Aston Martin e a Lamborghini se juntarão ao clube.


Usamos o Levante como um SUV deve ser usado, carregando tralhas, atravessando estradas de terra e rodovias de mão dupla. Para dizer a verdade, foi em uma rodovia destas que descobrimos o traço mais marcante da personalidade do Levante. Observando os movimentos da direção e a rodagem de trincar as costas, minha filha de oito anos fez a pergunta óbvia: "Papai, o que aconteceu com o carro?". Boa pergunta, filha.

São duas respostas. A primeira: a estrada. Nenhuma rodovia de pista simples na região do Rust Belt, nos EUA, resiste muito tempo sem deteriorar. A segunda: os amortecedores são duros no modo sport. Duros demais para o Brasil, bons na Califórnia, excelentes no norte da Itália.

Ao separar o powertrain do modo mais rígido dos amortecedores, a qualidade de rodagem melhora muito sem comprometer as respostas do motor, mas este carro é um SUV alto e deixa isso claro quando dirigido de forma mais entusiasmada. Nossas medições confirmaram que o centro de gravidade do Levante está a 67,3 cm do solo, que é o mesmo do Jaguar F-Pace e pouco mais alto que o do BMW X5 M e do Porsche Cayenne Turbo – o que contraria a declaração feita pela Maserati de que este tem o menor centro de gravidade de sua categoria.


As molas pneumáticas controladas eletronicamente são de série, e podem levantar ou rebaixar o Levante em uma variação de até 8,6 cm. Há seis ajustes de altura disponíveis, dependendo da velocidade e do modo de rodagem. Embora não seja intrusivo, o auto-nivelamento é notado quando o SUV está parado.

A direção hidráulica do Levante nunca se comunica de verdade. Em alta velocidade ela exige esforço médio e transmite muita vibração, mas há pouca noção de aderência, do piso e dos limites dos pneus. O sistema mostrou que uma direção de primeira é mais uma questão de prioridades que de sistema: é melhor ter uma direção elétrica bem calibrada.

QUE RONCO!

O ronco do motor é uma das prioridades da Maserati. E o Levante produz ruídos à moda antiga: ele merece isso. Paolo Dellachà, o engenheiro-chefe do Levante, nos contou que todos os harmônicos desse motor são naturais. Os hidrocarbonetos usados encontram caminho para sua glória sonora quando as válvulas de bypass do escape se abrem no modo esportivo. E é um ronco gratificante, chegando a 6.200 rpm em um crescendo, com uma pausa breve enqunto a marcha seguinte é engrenada.

O V6 3.0 biturbo da versão S produz 430 cv e 59 mkgf de torque. Embora o V6 trabalhe com a mesma pressão máxima 17,9 psi (1,23 bar), um coletor de admissão novo e o escape exclusivo o diferenciam do V6 de 410 cv do Ghibli S Q4. A potência, embora não seja pouca, geralmente se materializa de com um delay irritante. Se você pegar o V6 com a turbina vazia, mesmo esmagando o pedal do acelerador, o motor não vai empurrar o carro com vigor. A espera pela pressurização dos turbos foi um verdadeiro teste de paciência em mais de uma ocasião. Para evitar esses delays é preciso manter o motor em alta rotação usando as trocas manuais do câmbio automático. 


 

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