Teste: Citroën C3 AT 6 marchas

A Citroën troca o câmbio de quatro marchas do compacto pelo de seis. Finalmente!

Fotos: Bruno Guerreiro | Texto: Luiz Guerrero

 

Um câmbio obsoleto pode tirar o brilho do melhor motor, mas um bom câmbio é capaz de mascarar as deficiências de um motor defasado. É o que você vai comprovar ao dirigir o Citroën C3 automático, agora equipado com transmissão de seis marchas. Até então, o francês que conquistou as mulheres brasileiras vinha com a caixa automática de quatro marchas, um equipamento que já foi abandonado pela maioria dos fabricantes. O Aircross também recebeu a caixa com duas velocidades a mais.

A transmissão, com conversor de torque e possibilidade de trocas sequenciais, é fornecida pela japonesa Aisin e é um equipamento reconhecido pela confiabilidade e suavidade de funcionamento. Conta com três modos de condução – normal, sport e eco, selecionados por meio de teclas no console. Mas não traz no C3 e no Aircross os paddle shifts, as borboletas na coluna do volante para as trocas sequenciais, presentes nas versões anteriores. A Citroën explica que manteve as trocas manuais apenas na alavanca de câmbio e eliminou os paddles "porque os três modos de condução passaram a ser muito bem definidos e reduziram a necessidade das borboletas."

FOCO: CONSUMO

A marca também informa que a aplicação da nova caixa ao C3 e ao Aircross exigiu 300 mil quilômetros de desenvolvimento no circuito Penedo-Ubatuba-Campos do Jordão, em São Paulo, com 132 veículos diferentes. O foco da Citroën foi notadamente a economia de combustível. Pablo Averame, vice-presidente de marketing da empresa, diz que a economia, em comparação ao câmbio de quatro marchas, é de até 7% no modo normal e de até 12% em ciclo urbano no modo eco.

Teste Citroën C3

Em nossos testes de pista, as médias com etanol foram de 7,2 km/l em trajeto urbano e de 10,4 km/l na estrada. A Citroën abasteceu o carro que nos foi cedido para o teste com gasolina especial. Com esse combustível, conseguimos as médias (aferidas pelo computador de bordo) de 17,6 km/l na estrada em modo eco e em velocidade constante de 120 km/h, e de 9,3 km/l na cidade. No modo sport, a rotação sobe 500 rpm, o pedal do acelerador se torna mais sensível e o consumo aumenta: na estrada, a média foi de 11,2 km/l com gasolina especial.

No modo eco é preciso pressionar o acelerador até o assoalho para provocar as reduções de marcha, manobra que não exige tanto esforço quando se dirige em drive e menos ainda no modo sport. "Faz parte dos ajustes que promovemos na nova caixa", conta Richard Balse, da PSA – o grupo Peugeot-Citroën. "Com as duas marchas extras, pudemos desenvolver uma transmissão que privilegiasse a economia de combustível." Com as relações de quinta e sexta marchas alongadas (veja a ficha técnica ao lado), estas última marchas ganharam a função de overdrive: a 120 km/h em sexta, a agulha do contagiros estaciona em 2.000 rpm.

O motor flex 1.6 com comando de válvulas variável não sofreu alterações. Mas seus 118 cv (etanol) e, especialmente, seu torque foram melhor aproveitados pela nova transmissão. A aceleração até os 100 km/h com o câmbio em drive é feita em pouco mais de 12 s, tempo 2 s mais baixo que a versão 1.2 com motor três cilindros Puretech de 90 cv e de concepção mais moderna.

Citroën C3

PREFERÊNCIA FEMININA

O C3, do mesmo modo, também não mudou – é o mesmo carro mostrado no fim do ano passado. E não deve seguir a renovação que o modelo sofreu na Europa, um modelo específico para aquele continente, como justifica a Citroën. Além do câmbio de seis marchas, a novidade da linha é a criação da versão básica Attraction 1.6 ao preço de R$ 58.540, valor que inclui a central multimídia de 7" embutida no painel. A versão de entrada, prevê a Citroën, impulsionará as vendas do modelo (que vendeu 350 mil unidades desde o lançamento no Brasil, em 2003) em cerca de 10%. Ainda de acordo com as estimativas da marca, as versões automáticas representarão 48% das vendas em contraponto às manuais de cinco marchas. 60% dos compradores são mulheres na faixa dos 36 aos 55 anos.

O C3 é um carro de reações tranquilas, oferece boa visibilidade, tem interior luminoso, mesmo sem o para-brisa panorâmico Zenith, e bom acabamento – e talvez essas sejam algumas das qualidades que atraiam as compradoras. Poderia ter porta-objetos mais práticos e em maior quantidade, já que os nichos se resumem a uma rasa fresta na parede do console e a um porta-copos duplo. Mas a ergonomia lembra a de um carro de origem não-francesa: os principais comandos estão onde devem estar.

A versão Exclusive, como a que testamos, custa a partir de R$ 65.490 e inclui rodas de 16", sensores de chuva e de luminosidade, alerta de marcha a ré, limitador e regulador de velocidade e o para-brisa Zenith.

Teste Citroën C3

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