SsangYong Tivoli dá conta do recado, mas apenas na cidade

SsangYong Tivoli: primeiro capítulo da terceira temporada

Fotos: Divulgação | Texto: Raphael Panaro | Adaptação Web: Rodrigo Sodré

Pense comigo. Cerca de 17 mil carros emplacados no Brasil em mais 20 anos. Duas representações que não deram certo e deixaram seus clientes a ver navios – sem peças e pós-venda. Nome não muito familiar aos consumidores brasileiros. Essa é a resumida e atabalhoada história da SsangYong por aqui. Agora vai a pergunta: por que você investiria milhões no retorno da marca coreana ao Brasil?

Potencial. “A SsangYong é uma marca premium que não conheceu seu apogeu no País. Tem uma família de SUVs, o segmento que mais cresce no Brasil, completa e diferenciada, com grande potencial de ser uma forte opção de compra para os consumidores brasileiros”. A resposta para essa pergunta é de Marcelo Fevereiro, novo diretor de operações da SsangYong Brasil.

A Venko Motors, um dos braços do Grupo JLJ, representante das chinesa Chery e Rely tempos atrás, é quem está por trás do regresso da fabricante. Para demonstrar força a marca reinicia as operações em março do ano que vem com quatro modelo: dois inéditos, Tivoli e XLV, e dois velhos conhecidos: Korando e Actyon Sports.

Essa é terceira tentativa de fazer a SsangYong dar certo no Brasil. A primeira operação durou pouco: de 1995 a 1998. Após um hiato de três anos, o negócio voltou pelas mãos da importadora Districar, que em 2015 resolveu fechar as portas e deixou os clientes sem oficinas e peças genuínas.

BIG MAC
Por esse motivo, o objetivo da nova operação será muito mais que vender novos produtos – a meta é emplacar 3 mil unidades em 2018. A marca promete resgatar a confi ança dando assistência a todos esses proprietários que ficaram desamparados, seja com as atuais 16 oficinas já credenciadas, na abertura de 50 lojas até o fi nal de 2018, honrando a garantia dos veículos que ainda estão no prazo e também oferecendo três anos aos novos modelos.

E, como você pode imaginar, o produto que vai liderar essa nova fase da SsangYong por aqui é obviamente um... utilitário! O nome dele é Tivoli, um SUV de 4,20 metros de comprimento, ou seja, um compacto, que vai ter duas versões com preços entre R$ 85 mil e R$ 100 mil, e que tem a ambição de brigar com os badalados Jeep Renegade, Honda HR-V, Nissan Kicks e Hyundai Creta.

A primeira tentativa para isso é apostar no design. As lanternas, especialmente têm formato de um bumerangue que exagerou no Big Mac. Ela dá personalidade ao utilitário. Os para-lamas são protuberantes e a dianteira tem um desenho mais tradicional.

A segunda intenção é fornecer um carro coreano com tática chinesa, ou seja, lista de equipamentos caprichada: botão de partida, ar-condicionado digital, rodas de 18”, bancos de couro com ajustes elétricos, central multimídia, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, câmera de ré, três modos de condução e retrovisor eletrocrômico.

128 CV
Outro aspecto que causou boa impressão foi o acabamento. O interior é revestido de plásticos, mas que transmitem qualidade. As peças são bem encaixadas – sem rebarbas aparentes. O sistema de entretenimento é esperto, responde rápido aos comandos na tela touch, mas tem traz alguns botões físicos para facilitar o manuseio. O cluster lembra muito os Hyundai, com a pequena tela TFT do computador de bordo ladeada pelo velocímetro e conta-giros analógicos.

No quesito espaço, o Tivoli segue os  rivais. Os 2,60 m de entre-eixos dão uma boa área para os ocupantes dianteiros e traseiros. A posição também agrada. Não é alta demais e com os amplos ajustes do volante e banco fica fácil achar a melhor posição de dirigir.

O Tivoli fica devendo mesmo no desempenho. Os 128 cv do 1.6 a gasolina – apenas coincidência com os Hyundai – podem ser vistosos na ficha técnica. Porém, na hora de tirar os 1.300 kg do SUV do lugar, é preciso elevar as rotações do motor. A trasmissão automática de seis marchas – de origem Aisin – até tenta dar agilidade com trocas rápidas, mesmo assim não há garantia de que o carro ganhará velocidade efusivamente. Essa falta de força é mais sentida em retomadas e na estrada. Na cidade, ele dá conta. Agora resta saber se quem vai ter esse fôlego é a nova administração da SsangYong no Brasil.

EM NÚMEROS
PREÇO: de R$ 85 mil a R$ 100 mil
MOTOR: Dianteiro, transversal, 4 cilindros, 1.6, gasolina
POTÊNCIA: 128 cv a 6.000 rpm
TORQUE: 16,3 mkgf a 4.600 rpm
TRANSMISSÃO: Automático, 6 marchas
SUSPENSÃO (D/T): Independente/Eixo rígido
FREIOS (D/T): Discos
RODAS E PNEUS (D/T): 235/35 R19
DIMENSÕES: 4,20 m (comprimento) / 2,60 m (entreeixos) / 1,59 m (altura) / 1,80 m (largura)
PESO: 1.300 kg
PORTA-MALAS: 423 litros
TANQUE: 47 litros

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