Nissan apresenta Leaf com desenho convencional e aerodinâmica privilegiada

Renovado, o Nissan Leaf será vendido no Brasil

Fotos: Divulgação | Texto: Luiz Guerrero | Adaptação Web: Rodrigo Sodré

A Nissan mostrou no Salão de Tóquio, em outubro, conceitos elétricos e autônomos e algumas soluções de mobilidade. Embora o crossover IMx, um desses conceitos, tivesse ocupado lugar de destaque no estande da marca, os holofotes estavam voltados para um hatch exposto ao nível do piso: a segunda geração do Leaf. As atenções da Nissan para com o modelo têm uma razão. O Leaf tornou-se o elétrico mais vendido do mundo, com 300 mil unidades contabilizadas até setembro, superando o Tesla Modelo S.

É verdade que a Tesla pode reassumir o topo do ranking dos elétricos mais vendidos com o lançamento do Modelo 3, previsto para o começo do ano – o fabricante anuncia que mais de 450 mil interessados fizeram reserva do carro de US$ 35 mil (sem os incentivos) e com autonomia de até 500 km. Mas a liderança entre os carros elétricos é um marco importante para a Nissan que se empenha em popularizar esse tipo de veículo, a ponto de tornar seu preço equivalente ao dos carros a combustão dentro de cinco anos. O Leaf custa, sem os incentivos, U$ 5 mil mais barato que o Modelo 3 nos EUA e outro dos seus apelos é a autonomia, agora ampliada para 320 km.

Foi a nova versão que dirigimos na pista da Nissan, em Oppama, ao sul de Tóquio, local onde funciona um centro de pesquisa e desenvolvimento da marca e onde o Leaf é fabricado. E vamos lembrar que a leitura desta reportagem pode ser de seu interesse, esteja você empenhado ou não em salvar os animais polares: o Leaf será vendido regularmente no Brasil a partir de 2019.

ZERO POLUIÇÃO, ZERO INCENTIVO

Se você vive em São Paulo ou no Rio, provavelmente viu algum Leaf de primeira geração (de 2010 a 2017) rodando nestes centros. A Nissan trouxe 35 carros, 25 deles oferecidos em comodato a motoristas de táxi. Mas não é sobre esses carros de aparência exótica que estamos falando: o novo Leaf ganhou desenho convencional, como se não precisasse mais deixar claro que é um carro, por assim dizer, alternativo. Deixou sua personalidade Gaby Amarantos e assumiu a de Fátima Bernardes, para que você entenda.

A plataforma é nova, mais leve e rígida, e com ela o Leaf ganhou mais estabilidade e alguns milímetros extras no comprimento (4 mm) e na largura (2 mm). As novas baterias de íon de lítio são distribuídas no centro do carro, sob o assoalho, para tornar o centro de gravidade mais baixo e equilibrar a distribuição de peso que é de 58% na dianteira, onde está instalado o motor elétrico e a tomada de recarga, e de 42% na traseira. De série, o Leaf é equipado com baterias de 40 kWh que rendem autonomia de até 240 km, mas pode receber conjunto de 60 kWh para rodar até 320 km sem recarga – que, a propósito, pode ser feita na tomada de 110 V (uma operação que leva de 15 a 20 horas até a carga completa), ou de 220 V (que dura a metade do tempo) de sua casa, como um celular.

A conta de energia vai aumentar, pois não há nenhum incentivo ao carro elétrico no País. Os impostos para a compra do carro, que deve chegar entre R$ 150 mil e R$ 200 mil, também continuarão altos enquanto não houver política para enquadrar esse tipo de veículo em uma categoria especial.

SEMIAUTÔNOMO

Apesar dos entraves, o Leaf é um carro muito agradável ao volante. Tem bom espaço para quatro adultos, seus comandos são de simples operação e, o melhor, o torque que no caso é de 32,6 mkgf, está disponível em qualquer faixa de rotação, uma das características dos elétricos. A potência de 150 cv é suficiente para manter a agilidade de um carro de 1.560 kg de vocação urbana. A direção não tem a mesma precisão de um Toyota Prius, mas não desagrada. E o rodar com seus pneus 215/50 17 de baixo atrito mostrou-se confortável no asfalto da pista de teste.

Pela primeira vez, o Leaf recebe recursos de condução semiautônoma, batizado de Pro Pilot e que entra em funcionamento entre 30 km/h e 70 km/h para manter distância do carro à frente e contornar curvas de todos os raios. Embora tenha se mostrado confiável, o sistema é desativado quando se tira as mãos do volante. O e-Pedal é outro recurso inédito no Leaf e que faz o carro estancar progressivamente quando você tira o pé do acelerador. O sistema de estacionamento automático, o Pro Pilot Park, é outra solução adotada pelo modelo. Todas essas funções estão habilitadas para o Brasil.

EM NÚMEROS
PREÇO: R$ 150 mil a R$ 200 mil (estimado)
MOTOR: Dianteiro
POTÊNCIA: 150 cv a 3.280 rpm
TORQUE: 32,6 mkgf
TRANSMISSÃO: Automática, 1 marcha + ré
SUSPENSÃO (D/T): Independente/ Eixo de torção
FREIOS (D/T): Discos ventilados/discos sólidos
RODAS E PNEUS (D/T): 215/50 R17
DIMENSÕES: 4,48 m (comprimento) / 2,70 m (entreeixos) / 1,56 m (altura) / 1,79 m (largura)
PESO: 1.560 kg
PORTA-MALAS: 435 litros
COEFICIENTE AERODINÂMICO: 0,28

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