Mercedes-Benz Classe X surge mais refinada que as rivais

Mercedes-Benz Classe X: você está diante da nova referência em picape média

Fotos: Divulgação | Texto: Lucas Litvay | Adaptação Web: Rodrigo Sodré

Há 104 anos, em uma cidadezinha no interior de Ohio (EUA), um metalúrgico da Galion Godwin, empresa fundada três décadas antes, solucionou em uma semana o problema de anos de transporte de objetos de seus patrões. Resumidamente, ele pegou um Ford T, retirou a parte traseira e colocou ali uma tábua de madeira. A ideia foi tão bem recebida que nos anos seguintes, a Galion e Ford firmaram parceria para transformar o T em picape. Em um século esse tipo de carro se tornou o preferido dos americanos, dos argentinos – e dos agroboys brasileiros. Tal predileção foi a razão do surgimento do carro que ilustra essas páginas, a Mercedes-Benz Classe X.

EXCLUSIVO

O nascimento da X foi, digamos, mais prosaico. Por conta própria, a filial argentina da Mercedes bancou uma pesquisa que indicava algo óbvio para quem vive no interior do Brasil – e inédito para quem vive em Stuttgart: picape é carro de luxo na América do Sul. Ou seja, a Mercedes haveria de estar presente nesse segmento. Na Europa, elas têm outra característica. São notoriamente voltadas ao trabalho. Mas a ideia avançou apenas quando a marca alemã firmou uma associação com a aliança Renault-Nissan. Com ela, abria-se a possibilidade de produção do modelo tomando por base a Nissan Frontier.

Mas classificar a X no mesmo patamar de qualidade da Frontier seria injusto. A começar pelo design. Você enxerga facilmente o esforço da equipe da Mercedes para dar personalidade ao seu modelo. Faróis, vincos no capô e a grade com a estrela de três pontas em destaque parecem saídos do GLS, maior SUV da marca. Também há alterações no perfil com caixas de roda exclusivas de arcos menos saltados. Já na traseira, a Classe X tem linhas mais limpas. Aliás, limpas demais. Não há vincos na tampa, apenas um nicho para o logotipo. Além disso, suas lanternas (de led nas configurações mais caras) são mais estreitas e não invadem a lateral da caçamba. Aqui possivelmente está o ponto que a picape merece mais crítica.

Para se diferenciar ainda mais da Frontier, os alemães refi naram a cabine da X. Instrumentos, centrais multimídia e módulos de comando são os mesmos de outros carros da marca. A textura da parte superior do painel segue a qualidade que você espera encontrar em um Mercedes. Mas ao notar a metade inferior você percebe a herança da Nissan, como os interruptores e os bancos, com qualidade e acabamentos incompatíveis ao padrão da marca.

A LA SUV

Mas ao ligar o carro que você percebe que está diante da nova referência do segmento inventado pela Galion Godwin. Em dirigibilidade ela é imbatível. Rodamos por mais de 400 km nas estradas chilenas ao volante da versão 250 d Power, versão topo de linha equipada com um 2.3 a diesel de 190 cv de potência e 45,8 kgfm de torque. O conjunto mecânico também é formado por uma transmissão automática de sete marchas e é praticamente o mesmo oferecido na atual Nissan Frontier, embora a engenharia reforce que tenha feito modifi cações para adequá-lo ao modo de ser da X. Os freios dianteiros e traseiros são a disco, ao contrário da Frontier, que tem o sistema de trás a tambor.

Você irá se impressionar com o conforto à bordo. A começar pela largura extra da cabine que favorece o espaço para os ocupantes. O revestimento de isolamento também é elogiável. Há baixíssima invasão do som do motor na cabine, a ponto de você esquecer que ali na fresnte há um motor a diesel. Água e poeira são barrados pelas borrachas das portas.

A largura também é responsável pela estabilidade a la SUV da Classe X. A suspensão mantém todas as rodas no chão muito bem, mesmo em terrenos acidentados, e você não sente perda de controle, mesmo quando a caçamba vazia vai um pouco além nas curvas de alta. A X está sempre à mão com sistemas de assistência que ainda podem fazer correções em casos emergenciais. No off-road a X mantém um bom equilíbrio das funções 4x4 e reduzida com o auxílio das câmeras 360º e sensores. Mas ser referência tem seu preço. Quando for lançada por aqui, em 2019, espere por uma etiqueta na casa dos R$ 250 mil.

EM NÚMEROS
PREÇO (ESTIMADO): R$ 250.000
MOTOR: Dianteiro, Longitudinal, 2.3, 4 cilindros, 16V,
turbo, diesel
POTÊNCIA: 190 cv a 3.750 rpm
TORQUE: 45,8 mkgf entre 1.500 e 2.500 rpm
TRANSMISSÃO: Automática, 6 marchas, tração
dianteira
SUSPENSÃO (D/T): Independente/ Independente
FREIOS (D/T): Discos ventilados
RODAS E PNEUS (D/T): 255/65 R 17
DIMENSÕES: 5,34 m (comprimento) / 3,15 m (entreeixos) / 1,82 m (altura) / 1,92 m (largura)
PESO: 2.161 kg
CAÇAMBA: 1,1 tonelada
TANQUE: 53 litros

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